Como não cair numa fria ao começar improvisar?


Você está tocando no palco e quando menos espera, aparece uma oportunidade para você criar um solo na hora, improvisar um solo.
Quem já teve a experiência de tocar ao vivo para o público sabe muito bem do que estamos falando aqui.
Nessa hora, a sensação de liberdade para criar se mistura com a responsabilidade de fazer algo que seja bom, musical, que deixe a música bonita e também represente parte da sua capacidade como guitarrista.

É aí que muitas vezes a ansiedade toma conta da mente de quem toca, e por isso, muitas vezes o que poderia ser um ótimo solo, acaba sendo algo mediano, isso quando não é uma catástrofe.

Sem problemas, o importante é saber que errar faz parte de toda experiência que envolve aprendizado e aperfeiçoamento. Mas seria mais leve errar em casa, e ir lapidando até evoluir no que é necessário para quando chegar no momento ao vivo, você realize o que precisa de forma certa, não é mesmo?

Para evitar que sua mente seja tomada por pensamentos que te deixe ansioso ou inseguro sem saber o que fazer em momentos como esse, só tem uma forma e essa forma é você estar preparado, pois isso lhe dará segurança e não haverá espaço para outra coisa na sua mente a não ser para as ideias musicais.

Você sabe como se preparar para situações como essa? Ter a oportunidade de criar um solo improvisado e fazê-lo com qualidade?

Se não sabe como, a resposta é muito simples!

Estudando!

Mas estudando o que?

Estudando o conteúdo certo da maneira certa!

Qual o conteúdo certo e qual a maneira certa de estudá-lo?

O conteúdo certo é o conjunto de ferramentas que te capacitam para fazer um solo. Essas ferramentas são:
1- Sua técnica para tocar.
Mesmo que você não seja um virtuoso, é importante que toque com pegada, feeling, toque no tempo, e que produza um bom som com sua técnica, mesmo tocando pouca nota. Existem guitarristas que se tornaram ícones tocando poucas notas, como por exemplo David Gilmor do Pink Floyd e The Edge do U2. Mas se você se interessar por tocar rápido e ser musical ao mesmo tempo, existem alguns caminhos a serem seguidos para que você ganhe tempo e otimize seus resultados estudando. Esses caminhos são os exercícios e padrões de escalas certos, estudados e aplicados em música de maneira correta. Entenda que a técnica é nada mais nada menos do que a forma que condicionamos nosso cérebro a realizar um movimento, então, estude certo, ganhe tempo e tenha ótimos resultados, por que se estudar errado, perderá seu tempo sem ver resultado algum e isso pode ser muito frustrante!

2 - O som do seu instrumento
Timbre certo para a música que você está tocando.
Para isso, ouça a proposta de som que você está tocando e entenda um pouco mais sobre a sonoridade do seu instrumento nela.
Você já viu algum guitarrista colocar uma distorção errada para fazer um solo em uma música lenta e leve e isso não produzir um bom resultado? Ou então ao contrário, em um hard rock o cara entra com um clean fazendo frases de jazz que não tem a ver com a proposta de som da ocasião?
Em resumo, claro que não existe um padrão de timbre para cada música, mas se você for fazer coisas que são pouco convencionais, é importante ter bom senso, experimentar ideias e sonoridade com bom senso pode até trazer novidade para seu som.

3 – Seu conhecimento sobre as escalas e os acordes.
Já ouviu aquele termo “Notas na trave”.

Ta aí, uma coisa feia são as notas na trave! O cara tocando rápido ou lento, notas na trave denunciam o amadorismo, pouco preparo e a falta de cuidado com o som e com a própria exposição pessoal de um guitarrista.
Até quem não tem um ouvido muito musical comenta, “parece que tem alguma coisa errada nessa música”
É possível que durante um solo, até o mais competente guitarrista de uma nota na trave, as vezes até mais de uma. Mas quando estuda, ele sabe que foi uma trave e na mesma hora entende que aquela nota, naquele contexto aplicado, não fica boa, dessa maneira ele evolui com isso e não repete mais seu erro. Mas se o guitarrista não estuda, as notas na trave serão sempre notas na trave e ele não saberá em que contexto poderá evitá-las. Dessa maneira, em qualquer música, lá estará ele, mandando ver na trave ou seja, nas notas feias.
Com tanta nota boa para tocar, ficar tocando na trave é um desperdício, não é mesmo?
Imagine seu time na final de campeonato ir para os pênaltis e bater todos na trave. Tem que ser muito ruim de bola ou muito bom de trave!

Enfim, para você não passar por isso, é preciso que você saiba combinar as notas do solo com as notas dos acordes da base e isso você saberá conhecendo um assunto chamado de Modos Gregos e Campo Harmônico. Eu disse um assunto e citei dois nomes, justamente porquê eles tratam do mesmo assunto que é, organizar a conexão dos solos com as bases, ou seja, das escalas com os acordes.

O nome Modos Gregos pode parecer que trata de algo que seja complicado, mas na verdade não é! Até por que quando alguém fala algo complicado tem outro alguém que diz, “Para mim você está falando grego”. Da entender que tendo grego no meio do assunto, ele vai ser complicado.
Fique tranquilo, o nome Modos Gregos é só um termo e na prática não tem nada a ver com idioma grego. Tudo que você precisa saber para entender esse assunto é escala de Dó maior, pois é um assunto muito simples!
Você pode entender os Modos Gregos sabendo apenas a sequência a seguir.
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.
Conhecendo essa sequência de notas, chamada de escala de Dó maior, você poderá seguir para a próxima etapa que será entender qual a maneira que essas notas podem ser organizadas em acordes e como eles serão conectados com escalas. Como são sete notas da escala, elas vão produzir sete acordes e sete variações de escalas. Esse assunto também é conhecido como Campo Harmônico.
Você pode encontrar um excelente material sobre isso no site especializado em Modos Gregos para guitarristas no link a seguir:

Enfim, se você tem uma boa técnica, tem um bom som de guitarra, você ainda terá apenas uma parte, pois para saber como criar um solo e as diversas possibilidades de tocar melodias, frases, riffs, licks, compor improvisar, estarão diretamente ligados aos Modos Gregos.

Então, como disse no inicio do texto, para estar preparado você já sabe por onde começar!

Ótimos sons para você!

Sandro Nogueira.
Orientador EAD Modos Gregos Completo.